quinta-feira, agosto 03, 2006

Estava perfeitamente convicto que ia cair no tumulto daquelas águas profundas, escuras excepto na crista das ondas onde a espuma se forma quando, de repente, um braço esticado impediu a queda. Todo o corpo se concentra no único propósito de dirigir força àquele braço. Os músculos explodem à flor da pele, as veias enchem-se do sangue que não conseguem transportar, e ela:
Larga-me
Mas o braço não largou, a cara soltava os esgares de dor, as pernas arqueadas
Não vais conseguir aguentar-me
Os músculos cada vez mais retesados, o ardor no limiar da dor
Vais cair comigo
Tentar içar mas é em vão, o peso é demasiado.
Não vale a pena que caias comigo
No fundo as ondas agitam-se como feras que antecipam um manjar que vai cair dos céus, aguçam os dentes, agitam a cauda.

Larga-me, por favor. Estou-te a pedir.

O braço exausto soltou o peso do corpo que desapareceu no tumulto das águas profundas